Saudade das estradas velhas

estrada-velha Às vezes a gente vem descendo uma serra de carro a 100 km/hora sobre uma pista asfaltada, novinha, com curvas suaves, construída para ser à prova de idiota.
Nenhum precipício pela frente.
Aí, olho ao lado e vejo os pedaços que sobraram de uma velha estrada de terra, ela sim abraçada à montanha e enfeitada com curvas que terminavam em abismos.

Olho para aquela estrada e bate uma saudade, mesmo que nunca andei nela na minha vida. Abro a janela e escuto, tentando ouvir as histórias que ela conta, de carroças e carruagens e comboios que passaram por ali.
Sonho com a época quando o tempo tinha menos pressa e as viagens eram mais demoradas.  Uma época em que as estradas iam formando um elo entre os vilarejos e até as casinhas das pessoas, em vez de procurar o caminho mais direto e rápido entre duas cidades “importantes.”
Eram estradas de terra que adentravam a natureza, os galhos das árvores se encontravam em cima da pista formando pontes para os macacos ou para os esquilos.  Elas ofereciam sombra para quem precisava dar uma parada. Ninguém tinha raiva das árvores – nem das curvas.
Hoje em dia, não se brinca com estrada – essas com pintura asfáltica.  Estrada hoje tem gênio próprio, tem vaidade. Ela quer ser visto do espaço.  Ela exige que os vinte metros a cada lago se tornem lugares ermos, totalmente desprovidos de árvores ou arbustos. Espaços onde tolos humanos que dormem no volante podem sair à velocidade sem encontrar obstáculo.
As estradas velhas não tinham muito mais graça que as atuais? Elas rimavam com aventura, expedição, jornada. Com desafio e com surpresa. Com pneu furado, sim, mas também com uma bela tamanduá-bandeira cruzando o caminho.

As pobres árvores caem,  a incompetência e a onipotência dos homens crescem. Se algum bêbedo bater contra uma árvore, vão dizer que a árvore o matou. Coitada, ela que, sem muita opção, fincou pé naquele lugar e não fez mal a ninguém.
Você viu como homo sapiens e sua turma nunca têm culpa de sua própria morte? A culpa é sempre de algum animal, alguma árvore,  alguma falha mecânica (como se a mecânica se criou sozinha) ou das condições meteorológicas.  Ou até a culpa pode ser da cerveja, nunca de quem bebeu!

One Response para “Saudade das estradas velhas”

  1. jason Postou:

    A NATUREZA E UM ENCANTO CHEIA DE MUITOS MISTERIOS OS HOMENS A DESTRUINDO E DESCOBRINDO OS SEUS SEGREDOS NÓS JA SABEMOS O QUE ACONTECERÁ. NAO SERÁ UM FINAL FELIZ.
    O QUE SERÁ DA GERAÇÃO QUE ESTA NASCENDO AGORA TAO INOCENTES SEM SABER O QUE SERÁ, MAS NOS ADULTOS VAMOS PREPARAR O CAMINHO PRA NO FUTURO ELES PODEREM ANDAR.

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