O impacto da geologia e da geografia na nossa vida passa despercebido. Raramente paramos para pensar porque existem determinadas coisas
e aceitamos o mundo natural ao nosso redor como algo fixo, imutável – à exceção de erupções vulcânicas, tsunamis ou alterações provocadas pelo homem como a construção de imensas represas.
Porém, lentamente, tudo está com constante transformação.
As montanhas crescem pela ação das placas tectônicas ou diminuem pela erosão. O vento, o sol, a chuva, o calor e o frio alteram as paisagens, mesmo que de forma imperceptível aos nossos olhos.
Um rio é um “ser” bastante simples. Chamo de ser, porque um rio também nasce (brotando do solo ou criado pelas chuvas ou pelo derretimento de geleiras) e cresce com a adição das águas de outros riachos e rios. Vai se tornando adolescente, vira um rio maduro e finalmente encontra sua ‘morte’ ao alcançar a foz, no mar ou em outro rio de maior porte. A água do rio sempre desce, procurando terras mais baixas. O caminho pode ser muito íngreme e cheio de pedras, ou com um desnível tão pequeno que o rio é lento e forma milhares de meandros, tal como os rios amazônicos em terras brasileiras.
A bacia amazônica é uma imensa planície cortado por milhares de rios. Alguns brotam nos Andes, outros vem do Centro-Oeste ou do Norte do país. Ao começar a longa travessia da planície até a calha do rio Amazonas ligeiramente mais baixa, esses rios ‘menores’ formam caminhos extremamente sinuosos, cheios de curvas longas ou curtas, amplas ou bem fechadas.
Os rios formam paisagens, deixando rastros e contando histórias. Às vezes, rochas ou montanhas ditam o caminho. Em épocas de chuva forte, a força da água pode mudar drasticamente o curso de um rio e, cansada de fazer longas curvas, com um empurrão forja uma passagem mais direta, destruindo a velha margem e arrastando a vegetação que encontra pela frente. Passado algum tempo, a curva ora abandonada vai se isolando.
O rio deposita sedimentos e vegetação na boca da curva, aos poucos fechando completamente o acesso e deixando ali um lindo lago curvado. Aos poucos, algas e plantas aquáticas tomam conta do lago, formando um tapete verde. Na água parada, no decorrer dos anos cada vez mais rasa com os depósitos da vegetação em decomposição em seu fundo, começam a brotar arvores adaptadas à umidade.
No decorrer de muito anos, o lago desaparece, mas de cima, continuamos a perceber o velho curso do rio pela altura diferente das árvores que crescem no que era o seu fundo e das que vivem na margens mais altas.
Esse artigo escrito por Margi Moss saiu na Revista Ciência para Poetas, Nov.2008
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