Himalaia, Nepal

6 de outubro de 1990

A subida começou através de povoados de casinhas de tijolos vermelhos e teto de sapé, onde espigas de milho pendiam para secar. Cada centímetro era plantado com painço e milho em prateleiras cultivadas que iam subindo, por todos os lados, como escadarias infinitas para o céu. As mulheres nepalesas, envoltas em volumosos vestidos, usavam pesados brincos de ouro nas orelhas e no nariz. Não nos olhavam quando passamos, desajeitados, por seus vilarejos. Mas, se as saudávamos com namaste, sorriam com doçura e devolviam o cumprimento. Garotinhas despenteadas faziam gestos de namaste, as mão juntas, em prece, sobre o peito. Gritavam: “Uma foto!” e saíam correndo. Ninguém pediu dinheiro.

Comparados aos carregadores maltrapilhos e descalços do Kilimanjaro, os nepaleses andavam bem-vestidos, de jeans, tênis ou chinelo de borracha. Embora nenhum dos quatro falasse inglês, um divertido relacionamento se desenvolveu entre nós. Apesar da magreza, Bhima, um rapaz de cabelo reco, era quem carregava a maior carga. Um outro Krishna, um tibetano que imitava o som dos animais, contraía o rosto constantemente num belo sorriso.

Do livro “A Volta por Cima”, cap. 14. Editora Record

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